“Os apartamentos antigos têm um valor menor porque geralmente não possuem muitos equipamentos de lazer, diferente do que acontece nos novos condomínios-clube”, explica. “Mas, em contrapartida, costumam ser mais espaçosos e têm uma planta bem distribuída, o que agrada quem procura uma casa ampla.”Por serem mais baratos, mais espaçosos e já estarem prontos, os imóveis usados são a escolha de 74% das pessoas que financiam a casa própria. É o que mostra o levantamento da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).
Os usados vêm aumentando sua participação nos financiamentos imobiliários ano a ano ? foi apenas a partir de 2004 que eles se tornaram maioria nas transações contabilizadas pela Abecip. ?Esse tipo de imóvel tem um papel muito importante porque oxigena o mercado?, afirma Luiz Antonio França, presidente da Abecip.
“E hoje as condições de financiamento dos usados também estão mais atrativas”, diz França, lembrando que é possível dar uma entrada de apenas 20% nestes casos.
Mas os usados também apresentam algumas desvantagens. “Como eles foram construídos em uma época em que as pessoas não tinham tantos carros, é difícil encontrar um imóvel usado que tenha mais de uma vaga na garagem”, observa Juliana Moreira de Magalhães, da J2M assessoria imobiliária. “Muitos também precisam de reforma. Mas costumo dizer aos meus clientes que nos apartamentos novos eles também acabariam reformando, pois muitos são entregues com acabamentos precários.”
Brasileiro paga mais pela casa própria
Valor médio dos bens financiados passou de R$ 177.679 para R$ 205.258 (Foto: Divulgação)
O brasileiro está comprando imóveis mais caros. Em apenas um ano, o valor médio das unidades financiadas com recursos da poupança passou de R$ 177.679 para R$ 205.258, uma alta de 15,5%, informa a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).
Os dados da Abecip refletem, em parte, a valorização imobiliária ocorrida nos últimos tempos. Levantamento realizado pelo Sindicato da Habitação (Secovi-SP) e divulgado em maio pelo JT já mostrava que em São Paulo, por exemplo, o preço dos imóveis havia subido 27% em dois anos.
“Mas a questão é que a renda do consumidor também aumentou e por isso ele está conseguindo assimilar essa alta de preços dos imóveis?, ressalta Luiz Antonio França, presidente da Abecip. ?Só dessa maneira as vendas continuam crescendo.”
No primeiro semestre de 2010, o número de imóveis financiados pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) subiu 51,4% em relação ao resultado do mesmo período do ano passado. O aumento das vendas fez o financiamento imobiliário registrar mais um recorde: foram emprestados R$ 23 bilhões em seis meses.
A estimativa da Abecip é que, no segundo semestre, mais 262 mil unidades sejam vendidas - o que significa fechar 2010 com 450 mil imóveis e R$ 57 bilhões em financiamentos com recursos da poupança. “Com boas condições de crédito e crescimento da renda do trabalhador, a demanda por imóveis vai continuar em alta”, afirma França.
E os preços também. A consultoria MB Associados, contratada pela Abecip para analisar o mercado imobiliário brasileiro, afirma que a demanda por imóveis deve ser de cerca de 1,3 milhão de unidades ao ano até 2015. A empresa também estima que a renda do brasileiro cresça, em média, 8% ao ano nesse período.
(Fonte: Abecip) (Imagem: Infográfico/AE)
“A demanda crescente por imóveis e o aumento do poder de compra do trabalhador vão sustentar o avanço do mercado pelos próximos anos”, decreta José Roberto Mendonça de Barros, da MB Associados. “Por isso, um cenário futuro em que o preço dos imóveis caia é muito pouco provável.”
Essa situação só ocorreria se a valorização imobiliária se tratasse de uma bolha ? o que não é o caso. “Realizamos um estudo e pudemos concluir que não há bolha, porque não há desregulamentação do mercado e nem desequilíbrio econômico, o que caracterizaria o fenômeno”, explica Mendonça. “Ao contrário: o crescimento dos preços e das vendas é sustentável.”


















